em movimento de ninar o próprio corpo, o aborto dizia:
"(...) Sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto, sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto..." (Sem autor, 2012)
O corpo girava em si,
desmantelado.
O livro lido era de outrem?
Não, não tem autor, senão a dor do Sonhador.
E o sonhador relembrava-se em si,
desmantelado.


Um comentário:
É no sonho que nos entregamos a nós mesmos. Seja para desaparecer ou efetivar-se, gozar ou morrer. A vida do sonhador é horizonte de um claro enigma. Vive-se mais acordado, olhos abertos ou percorrendo estradas oníricas sinuosos, passando por jogos de espelhos, andando ora para leste ora para oeste, sem fuso-horário definido? Às vezes, quase que como repetindo o senso comum penso: viver é sonhar!
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