domingo, 14 de outubro de 2007

CASULO em Carta

...É exatamente como esta noite de domingo que te digo que amo.
Você, cara amiga, que me relata seu repudio pelo nascer semanal,
Digo-te mais uma vez que o que para ti é limbo, para mim é recanto.
Escuto no entardecer deste dia, a chuva molhando minha rua.
E sinto o cheiro da rua molhada em minha cama. É um gozo.
E desta relação com a natureza é que nasce meu momento íntimo.
O vento penetrando a janela de meu quarto.

Porém, te entendo.
Este momento é propício para ser dividido.
Comigo e outrem.
Para você é uma solidão que exala um calor escatológico de ser só.
E domingo é lembrar do que já é e do quem se tem a fazer.
De sentir saudade, porém nostalgia do momento que nunca teve.

Por isso então, te aconselho.
Se te encontrares em um casulo, não faça do seu paraíso, moradia do diabo.
Não faça da reflexão, redundância.
Não faça do viver, tédio.

Faça amor narcísico.
Crochê de retalhos de momentos ternos e cor pastel.
Como o gosto puro do leite de seio, da lágrima, do suor.
E do calor de seus braços, faça recanto.

Digo-te de novo, menina:
Não é fechar os olhos que vêem o de fora em espanto.
É perspectiva interna.
Melhor que fingir.
É encanto.

[Dedicado à Adriana, la belle fille avec son chat.]