(ALMEIDA, R., 2013, para Revista Época)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
"Para a psicanálise, nossos mal-estares são oportunidades que temos para reconduzir e aperfeiçoar nosso processo de subjetivação, de construção de nós mesmos, processo este que nunca cessa. São esses mal-estares que nos fazem repensar nossos valores, objetivos, nosso modo de ser e nossas relações. As lagartas, para se transformarem em borboletas, precisam antes passar pela fase do casulo. Se quisermos aproveitar esta metáfora para entender o processo de subjetivação humano, diríamos que somos capazes de viver esse processo de transformação um sem número de vezes. De lagarta para borboleta, de borboleta para lagarta, e assim sucessivamente. Estas transformações, por sua vez, só acontecem quando questionamos nosso modo de ser e de estar no mundo. Quando paramos de nos interrogar, perdemos a oportunidade de passar por essas transformações, ficando paralisados, fixados em uma só condição: ou lagarta, ou borboleta. E é muito melhor quando podemos aproveitar todas as possibilidades de estar nesse mundo."
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Desfecho do Cântico Onírico No 01
Na prosa de um sonho, num eterno retorno,
em movimento de ninar o próprio corpo, o aborto dizia:
"(...) Sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto, sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto..." (Sem autor, 2012)
O corpo girava em si,
desmantelado.
O livro lido era de outrem?
Não, não tem autor, senão a dor do Sonhador.
E o sonhador relembrava-se em si,
desmantelado.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Posso dizer: mariposianesco.
"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo."
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo."
José Regio
domingo, 20 de setembro de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O pequeno conto de 3 minutos.
...cuidado onde pisa!
(...) Espere, não se aborreça!
Se te incomodei foi somente esta noite, pois vivi contigo durante sua vida inteira.
Olhe pra baixo, Gigante.
Vais precisar evocar maiores forças para desalojar-me daqui!
Eu que vivi durante meses entre seus dedos dos pés,
que escalei os seus braços a cada retorno.
Pedindo um olhar, pedindo socorro.
Deixe-me explicar, me dê 3 minutos: durante 22 anos me perdi além-alto mar!
Sim, vim de uma ilha distante, que após uma catástrofe se extinguiu.
Sobrevivi como pude,
um náufrago de mim mesmo,
porém jamais vil.
Trouxe como bagagem uma pequena trouxa com devaneios nublados persistentes,
envoltos em roupa suja, entre lenços umidecidos e uma velha escova de dentes.
Uma vez, enquanto estavas distraido, procurei guardar meus pertences em seu bolso esquerdo.
Na ânsia de hospedeiro, nem me dei com o furo que havia dentro.
Com minhas velhas roupas então, e habilidades de costureiro, fiz um remendo,
e nu lá permaneci, me aquecento com o calor de seu charuto e de seu melancólico alento.
Olhe seu tamanho.
Você é um mundo maior que eu!
Serias em minha aldeia uma divindade.
Não por ignorância ou medo da calamidade,
mas por sua elegância de majestade.
Sendo alto, belo e inteligente,
você é um mundo maior que eu.
Contudo, eu sou universo, a partícula,
então escute com atenção a pequena criatura que em teu corpo se acolheu.
Você é novo e inseguro,
Teimoso, com vícios e apreciador de um certo agouro.
Percorrendo seu vestuário, percebi que já passaram por aí outros hospedeiros,
mas fizeram em ti defeituosos remendos, disfarçados em falso ouro.
Percebi também que durante sua hibernação você se contorce, infeliz em seu leito.
Não percebias, mas tinhas dentro de ti um pequeno artesão,
que mesmo no aperto de seu corpo dormente, corrigia suas falhas, em vigilia, por gratidão.
(...) Observou o ajuste? Confie em mim, é de boa qualidade.
Em minha ilha nada mais fiz que trabalhar roupas de outrém,
As que visto são simplórias, prefiro ver os outros bem,
não me importando para o que está aquém.
Enfim, sinto muito pelo infortúnio, contudo pense nos benefícios de minha companhia.
Noto em seu olhar o medo de acordar e não me encontrar algum dia.
Feche seus olhos, sinta a sincronia de sua melodia com minha tentativa de poesia.
Não percebes nossa simbiose, o afeto e mútuo acolhimento?
Nunca me cansarei de seus vícios, mesmo se este for o sofrimento.
(Fecho os meus olhos)
(...) É quase tudo o que minha pequena mão consegue transcrever.
É quase nada do que minha pequena boca almejaria expressar.
Dê o próximo passo, amigo.
Mesmo esmagado na sola de seu pé, permeável, estarei para o infinito contigo.
(Sinto que vem em minha direção, me anuncia a intensidade do vento.
Não é pelo som de seus passos, ou o barulho de sua respiração ofegante, repleto de maldade.
Embora queira, nada posso ouvir. Soa alto em minha cabeça uma bela canção,
a Valsinha da Saudade.)
(...) FIM.
(...) Espere, não se aborreça!
Se te incomodei foi somente esta noite, pois vivi contigo durante sua vida inteira.
Olhe pra baixo, Gigante.
Vais precisar evocar maiores forças para desalojar-me daqui!
Eu que vivi durante meses entre seus dedos dos pés,
que escalei os seus braços a cada retorno.
Pedindo um olhar, pedindo socorro.
Deixe-me explicar, me dê 3 minutos: durante 22 anos me perdi além-alto mar!
Sim, vim de uma ilha distante, que após uma catástrofe se extinguiu.
Sobrevivi como pude,
um náufrago de mim mesmo,
porém jamais vil.
Trouxe como bagagem uma pequena trouxa com devaneios nublados persistentes,
envoltos em roupa suja, entre lenços umidecidos e uma velha escova de dentes.
Uma vez, enquanto estavas distraido, procurei guardar meus pertences em seu bolso esquerdo.
Na ânsia de hospedeiro, nem me dei com o furo que havia dentro.
Com minhas velhas roupas então, e habilidades de costureiro, fiz um remendo,
e nu lá permaneci, me aquecento com o calor de seu charuto e de seu melancólico alento.
Olhe seu tamanho.
Você é um mundo maior que eu!
Serias em minha aldeia uma divindade.
Não por ignorância ou medo da calamidade,
mas por sua elegância de majestade.
Sendo alto, belo e inteligente,
você é um mundo maior que eu.
Contudo, eu sou universo, a partícula,
então escute com atenção a pequena criatura que em teu corpo se acolheu.
Você é novo e inseguro,
Teimoso, com vícios e apreciador de um certo agouro.
Percorrendo seu vestuário, percebi que já passaram por aí outros hospedeiros,
mas fizeram em ti defeituosos remendos, disfarçados em falso ouro.
Percebi também que durante sua hibernação você se contorce, infeliz em seu leito.
Não percebias, mas tinhas dentro de ti um pequeno artesão,
que mesmo no aperto de seu corpo dormente, corrigia suas falhas, em vigilia, por gratidão.
(...) Observou o ajuste? Confie em mim, é de boa qualidade.
Em minha ilha nada mais fiz que trabalhar roupas de outrém,
As que visto são simplórias, prefiro ver os outros bem,
não me importando para o que está aquém.
Enfim, sinto muito pelo infortúnio, contudo pense nos benefícios de minha companhia.
Noto em seu olhar o medo de acordar e não me encontrar algum dia.
Feche seus olhos, sinta a sincronia de sua melodia com minha tentativa de poesia.
Não percebes nossa simbiose, o afeto e mútuo acolhimento?
Nunca me cansarei de seus vícios, mesmo se este for o sofrimento.
(Fecho os meus olhos)
(...) É quase tudo o que minha pequena mão consegue transcrever.
É quase nada do que minha pequena boca almejaria expressar.
Dê o próximo passo, amigo.
Mesmo esmagado na sola de seu pé, permeável, estarei para o infinito contigo.
(Sinto que vem em minha direção, me anuncia a intensidade do vento.
Não é pelo som de seus passos, ou o barulho de sua respiração ofegante, repleto de maldade.
Embora queira, nada posso ouvir. Soa alto em minha cabeça uma bela canção,
a Valsinha da Saudade.)
(...) FIM.
Dedicado a Gustavo Fujiwara.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
De vuelta a la Isla.
Vuelven los pajaros a sus pequeñas casas.
Vuelve el sol ocultarse en la montaña.
Vuelven los niños a suas calientes camas.
Entonces vuelvo a la isla hoy, y no mañana.
Vuelve el viejo cantor al silencio de la tierra.
Vuelvo despacio al mar de mis ojos, la misma cantalera.
Me veo solo navegando en el anochecer,
no se sabe al cierto quando vuelvo.
La mala suerte fue mirar atrás, pues creo ver un hombre en la playa,
y por la infinita viaje me preguntaré si me quedria conocer.
Vuelve el sol ocultarse en la montaña.
Vuelven los niños a suas calientes camas.
Entonces vuelvo a la isla hoy, y no mañana.
Vuelve el viejo cantor al silencio de la tierra.
Vuelvo despacio al mar de mis ojos, la misma cantalera.
Vuelve el viajero apacionado a la monocromia.
Tambien me voy yo, fracasado. Quien sabe vuelvo otro dia.Me veo solo navegando en el anochecer,
no se sabe al cierto quando vuelvo.
La mala suerte fue mirar atrás, pues creo ver un hombre en la playa,
y por la infinita viaje me preguntaré si me quedria conocer.
domingo, 14 de junho de 2009
Alma Desnuda
"Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas. "
- Alfonsina Storni
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas. "
- Alfonsina Storni
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