quinta-feira, 19 de julho de 2007

Identidade

A busca pela construção da identidade é um longo trajeto no qual não temos nenhum ponto de chegada concreto, são apenas diferentes divagações de objetivos e expectativas que nos fazem percorrer uma vida para alcançá-los. O ponto de partida de todos é a pequena estrutura parcialmente vazia e livre de princípios morais e éticos, com alguns reflexos e alguns instintos que nos faz experimentar a percepção sensória pela primeira vez. Desenvolvendo-nos a partir desta massa branca amorfa, é que vamos aos poucos apalpando o ambiente que nos circunda tentando reconhecer em cada material tocado, o nosso bem primordial, nossa sobrevivência, nossa figura materna.
Tendo em mente um ser que construiu o conceito de propriedade e limites, vamos crescendo em movimentos que tangem uma espiral, expandindo-nos infinitamente como um universo de pensamentos éticos, culturais e sociais que 'esculturam' nossa consciência em algo estético e pseudo-harmônico.
Essa identidade é intrínseca ao ser que não suportando sua existência solitária perfeita, transcende sua essência em representações criadas a partir de relações com outros de sua mesma espécie. Aqui percebemos a dinâmica metamorfósica do desenvolvimento psico-social do homem. Posto que quer ser livre, esta larva dá vazão aos seus impulsos ingênuos, e desmistificando e mistificando seu ambiente, alcança o ápice de seu progresso psico-social. Este foge ao casulo quando se vê incapaz de diferenciar e refletir sobre as diferentes representações que foram geradas devido à subjetividade existente nos grupos sociais de seu cotidiano. A multiplicidade da identidade é uma adaptação a esta característica da sociedade pós-moderna.
Quando se vê maduro o suficiente para viver uma idéia de liberdade e autonomia, o casulo é biologicamente desfeito.

Torna-se metamorfosicamente outra pessoa.

É este processo que todos os severinos e severinas atravessam desde o momento que possuem uma atividade sobre o mundo. Os objetivos, sonhos, expectativas de um futuro podem até ser os mesmos em sua essência, mas a sua forma paralelamente se transforma.
Sem questionar a linguagem, a política e os complexos emocionais ululantes no desenvolvimento humano, chega-se aqui ao questionamento do uso errôneo do "ser outra pessoa", pois há de se levar em conta o trajeto como um todo. E é exatamente por isto que muitos de nós hoje em dia não podemos definir em uma resposta concisa quando nos perguntam:

- quem é você?

Estamos em contínua transformação, somos uma identidade em movimento, e por termos guardado em nós faces de nosso passado e algumas noções do que seremos no futuro, nos encontramos em um entrave paradoxal, que nos faz responder respostas frustrantes e corriqueiras do dia-a-dia como "sei lá" ou "nunca parei para pensar".