terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Desfecho do Cântico Onírico No 01

Na prosa de um sonho, num eterno retorno,
em movimento de ninar o próprio corpo, o aborto dizia:

"(...) Sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto, sem pernas, sem bunda, sem cu, sem costas, sem pescoço, sem cabeça nem rosto..." (Sem autor, 2012)

O corpo girava em si,
desmantelado.

O livro lido era de outrem?
Não, não tem autor, senão a dor do Sonhador.

E o sonhador relembrava-se em si,
desmantelado.

Um comentário:

Gustavo disse...

É no sonho que nos entregamos a nós mesmos. Seja para desaparecer ou efetivar-se, gozar ou morrer. A vida do sonhador é horizonte de um claro enigma. Vive-se mais acordado, olhos abertos ou percorrendo estradas oníricas sinuosos, passando por jogos de espelhos, andando ora para leste ora para oeste, sem fuso-horário definido? Às vezes, quase que como repetindo o senso comum penso: viver é sonhar!