quarta-feira, 6 de maio de 2009

O brigado - Leitura Desconexa.

Esta tarde acordei atônito, desperto pela calamidade onírica.
vou ao banheiro iluminado melancolicamente pelo Sol,
que atravessando a cortina azul, dá vazão ao meu rosto.
Está cansado, com o olhar depressivo, porém atordoado.

É minha projeção, sinto em mim.
Mas não me sinto.

Nele vejo a ausência de humor, a distanasia, a decepção do acordar.
Concordar com essa projeção é esquizoide, e dou um passo atrás. Ele também.
Nos observamos confusos, intermediados pelo espelho e pela luminosidade azulada.
Vejo que ele me assusta, me sinto no regresso.

Mas no meu racicínio percebo-o e aos poucos desvendo o seu suspense.
É insignificante, não é de nada. Não é de ninguem.
Ele se mostra mórbido, mas é existencia negada. Não me pertence.
Mora na dimensão dormente, e da dor mente.

De frente, nao me reconheço.
Tenho medo de voltar pra esse estágio,
o começo.

E entendo que foi ultimamente deixado de lado,
mas nao me envolva nisso, eu sou honrado.
Nossa simbiose foi superada.
Não me maltrate agora que sou pessoa amada.

Eu quero por favor que voce me esqueça.
Eu mereço sua reverência, não a sentença.
Olhe bem! Não quebro este vidro porque prometi que de minhas mãos não jorraria sangue novamente.

Por isso dou mais um passo atrás, decidido.
Não sei se amadureci ou esqueci,
contudo tenho uma nova mente.

Não suporto mais esta relação especular, fechei os olhos e você me agredeceu.
Respiro e digo: Obrigado eu.

Volto a minha cama para descansar.
Tenho sempre más recordações de meus sonhos, mas lá te reencontro.
Te perdoo, pois você pra mim é sagrado.
você é minha representação voluntária, o ator doado.

Um comentário:

Gustavo disse...

Texto-Retorno, reecontro do Eu que existe no poema "Intra".
Às vezes, melhor dizendo, nas mais das vezes recordar é viver.
Rememorar esse eu-passado, é, no fundo de todas as coisas, perceber que ele ainda está lá, dormente talvez, ou, quem sabe, inócuo.
Todavia, volta e meia ele retorna de um estado que no fundo é inabalável.
O retorno é a consciência que nunca esquece das coisas.