Ser efêmero é ser para mim mesmo.
Quando em um feriado me dou conta
De mim, num vão.
Em um movimento esquizofrênico de não querer ser.
O tédio vai acabar com meus cigarros.
E com o pouco de inocência que sobra em minhas palavras.
É sistêmico.
Um falso diálogo em duas vias.
Que acaba junto com minha única vontade de não existir.
Cansei do demorar do livro de sempre.
Da monotonia da diversidade musical.
Meu tédio é a consciência mórbida de saber que não há mais cores a serem vistas.
E tudo acaba quando vejo no céu, que está a ponto de chover, uma sacola de supermercado voando alto na ventania.
Amarela.
O céu vai cair.
Catarse.
E eu vou finalmente me tornar anjo.
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Um comentário:
"saber que não há mais cores a serem vistas."
sinto isso todos os dias.
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